Fonte: it web
Empresas internacionais voltadas para a terceirização do desenvolvimento e a manutenção de software que não possuem operações no Brasil estão fechando parcerias com brasileiras, a quem vão "quarteirizar" serviços. Os objetivos principais são utilizar a mão-de-obra local como alternativa a serviços que também são prestados a partir de outros países, em especial da Índia, ou como forma de fechar contratos com empresas brasileiras. A indiana Patni Computer Systems e a americana Perot Systems escolheram esse caminho.
A Patni, uma das empresas indianas de forte avanço global nos últimos anos - assim como TCS, Infosys, Satyam e Wipro -, fechou pareceria com a brasileira BSI, especializada no setor financeiro, e agora faz parte de um dos maiores contratos de terceirização de software dos últimos anos, com o Unibanco. Juntas em uma equipe batizada Patni BSI, cuidam hoje do desenvolvimento e da manutenção de mais de 30% dos sistemas do banco, diz o responsável pela aliança, Alexandre Baroni.
O executivo tem a responsabilidade de montar a operação da indiana no Brasil. Atualmente são 16 pessoas, e nesta semana chegam quatro indianos, que ficarão de seis meses a um ano aqui. "A idéia é ter o Brasil como centro para a América Latina", diz.
O interesse de vir ao Brasil começou quando a empresa ganhou parte do grande contrato global do ABN, que decidiu dividir seus sistemas em uma série de empresas que incluíam a TCS, a IBM e a Accenture. Parte importante dos trabalhos começou a ser feita a partir do Brasil. "A Patni queria vir para o Brasil e a Argentina e estava fazendo contatos com outras empresas quando começamos a conversar em outubro de 2006", conta o diretor da BSI, Ogarito Lopes.
A brasileira ajudaria com parte da mão-de-obra, mas com a compra do ABN pelo Santander houve uma mudança de planos. O primeiro contrato acabou sendo com o Unibanco, que seguiu a mão inversa. Foi conseguido por meio da BSI, que já tem mais de dez anos de serviços prestados ao banco e possui uma fábrica de software com 250 pessoas em Londrina, no Paraná. A instituição financeira queria fazer a terceirização com os padrões indianos e a Patni ajudou a fechar o contrato por garantir que os processo seguiriam o nível 5 da certificação de qualidade de software CMMI (modelo integrado de maturidade de capacidades).
Já a Perot Systems, fundada por Ross Perot, que já concorreu à Presidência dos Estados Unidos e foi o fundador da EDS nos anos 1960. A Cyberlynxx fechou há um mês acordo para ser o braço de serviços no Brasil da Perot Systems e agora estuda a montagem de uma fábrica de software para pegar contratos fechados no exterior. "Eles têm mais de 7 mil pessoas na Índia e estavam avaliando alternativas em outros locais. Eles nos perguntaram se poderíamos ajudar a partir do Brasil", diz o presidente da Cyberlynxx, Marcelo Astrachan, que agora estima a demanda para os próximos dois anos. "Devemos fazer um núcleo de 30 a 40 pessoas para ir crescendo à medida que a demanda vai se confirmando."
O objetivo não é pegar o mercado interno, mas prestar serviços terceirizados para contratos globais. A Cyberlynxx, que se reformulou para começar a exportar software, também tem planos de abrir escritório na Europa e negocia aquisições para ganhar peso internamente. "Mantemos conversações com três empresas, sendo que estamos mais avançados com duas", diz.