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Outsourcing e a crise

*Por Vagner Jaime Rodrigues

Pesquisas recentes indicam crescimento do setor de outsourcing pelo mundo. Este segmento na área de Tecnologia da Informação deverá expandir entre 10% e 12% no Brasil este ano, de acordo com informações divulgadas pela consultoria americana Gartner. Não é de hoje que o segmento cresce, mas os dados surpreendem pelo fato de estarmos atravessando um momento de turbulência nada desprezível.
 
Há alguns anos o país vem se destacando frente a nações emergentes no segmento de terceirização. A descoberta do uso eficaz do serviço impulsionou isso. Alguns fatores, como infraestrutura, ambiente político e econômico e compatibilidade contábil com a Europa e os Estados Unidos, fizeram com que o Brasil ganhasse mais espaço nesse campo.
 
A estabilidade política e econômica, por exemplo, ajuda o mercado de terceirização de BPO (Business Process Outsourcing) na medida em que as empresas projetam seu futuro com mais assertividade, avaliando ganhos com o processo de terceirização, podendo medir com precisão — em longo prazo —, a melhoria na qualidade e no atendimento de seus produtos e serviços.
 
A migração que o Brasil está passando em relação às regras contábeis internacionais também facilita, fazendo com que a compatibilidade nessa área entre nós, Estados Unidos e Europa seja cada vez maior. O fato é que quando trabalhamos alinhados às práticas contábeis internacionais derrubamos várias barreiras no âmbito coorporativo e de gestão que possa ter entre o Brasil e os outros países.
 
A entrada de empresas brasileiras no mercado europeu exige que as normas contábeis sejam compatíveis, pois estas terão que apresentar aos clientes lá de fora sua estrutura econômico-financeira. Este é um dos fatores que também faz com que o mercado de outsourcing em BPO no Brasil cresça, pois a elaboração destes tipos de demonstrativos requer empresas especializadas no ramo.

Outro item que contribui para que empresas brasileiras procurem serviços terceirizados está relacionado à redução de custos. Efetivamente isto tem sua importância, mas o motivo vem perdendo espaço para outros tópicos positivos característicos da terceirização, como maior controle, melhores práticas, racionalização dos processos e aumento da produtividade. A realidade é que, cada vez mais, as organizações estão precisando se centrar no core business, o que as fazem procurar por terceiros para a execução de suas atividades-meios.
 
A mudança de paradigma empresarial devido à turbulência financeira dirigiu as organizações para suas atividades-fins e para profissionalização das áreas periféricas — nem sempre possível a partir das estruturas internas até então existentes, exigindo a busca de parceiros. É por isso que setor de outsourcing vislumbra expansão em um ano difícil.

*Vagner Jaime Rodrigues é sócio da Trevisan Outsourcing e professor da Trevisan Escola de Negócios

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