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DNA de aplicações: Essência, eficiência e forma

*Por Pablo Cavalcanti

Algumas das discussões mais quentes do momento em TI são a eco-eficiência, SOA e virtualização. Muito tem se falado, de um lado, sobre a economia de energia gerada pela virtualização, e de outro, das benesses de uma arquitetura para sistemas com baixo acoplamento (SOA). Vou me concentrar nestes dois aspectos antes de tocar na questão da eco-eficiência.

SOA é uma alternativa interessante para integrar aplicações distribuídas e com baixo acoplamento, já a virtualização reduz a quantidade de máquinas necessárias para executar uma única aplicação e pretende “liquefazer” em certa medida os recursos de infra-estrutura para flexibilizar seu uso por aplicações de carga oscilante. Até aqui nenhuma novidade para o leitor castigado diariamente por estas tendências. Vamos dar um passo atrás e enxergar essas tendências a certa distância. É fácil perceber que ambas estão relacionadas à forma de empacotar aplicações, em outras palavras à sua forma ou organização. Visto sob esta ótica soa estranho discutir aumento de eficiência se de fato o que estamos fazendo é organizando o que já existe de uma forma mais racional. É como diminuir o peso de um produto eliminando peso da embalagem. Que a virtualização diminui a quantidade de máquinas, o consumo de energia direto e indireto (pela diminuição do calor gerado) isto é fato e não se discute. Mas o que me chama a atenção é que neste debate pelo aumento de eficiência pouco se discute sobre quanta “gordura” há em nossas aplicações.

Em entrevista recente com um cliente, impressionou-me o crescimento explosivo de sua infra-estrutura de TI. Perguntei-lhe se esse crescimento foi acompanhado na mesma velocidade pelo crescimento do negócio. Resposta: Um sonoro não. E aí vem a minha pergunta central: Se o negócio não cresce a um ritmo exponencial, geométrico, porque a infra-estrutura de TI cresce assim? A resposta pode estar numa aula de análise de algoritmos de qualquer boa faculdade do mundo. A curva de consumo  de uma aplicação está diretamente relacionada à eficiência dos seus algoritmos que mastigam informação. Uma curva de consumo exponencial tem na sua origem um algoritmo exponencial. É este o chumbo dentro da caixa da aplicação que não é afetado em nenhum kilo por SOA, por virtualização, por utility computing ou por qualquer outra tendência que ataque a “forma” e não o conteúdo.

Por isso, voltando à questão da eco-eficiência, me preocupa o fato do debate não discutir a essência de uma aplicação, seu DNA, seus algoritmos, seu desempenho para processar seus dados. Quanto mais rápida e menos gulosa é uma aplicação, menos calor, menos processadores, menos armazenamento, menor consumo de rede, enfim, mais eficiente e consequentemente mais eco-eficiente ela se torna. O leitor crítico pode estar se pensando que isso não se aplica a DWs, principalmente àqueles oriundos de regulamentações governamentais. Este é um capítulo à parte a ser tratado em outro artigo. Deixo ao leitor esta pergunta: Na sua busca por eco-eficiência você está se preocupando com a caixa ou com o conteúdo?

*Pablo Cavalcanti é diretor-executivo da Inmetrics Ltda, provedora de serviços especializada em soluções de APM (Application Performance Management, Gerenciamento de Desempenho de Aplicações)

 

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