* Por Leonardo Bon
A preocupação cada vez maior com as posturas de sustentabilidade e responsabilidade sócio-ambiental das empresas atinge em cheio a área de TI, com inegável ênfase sobre o segmento de redes.
Afinal, de todo o aparato envolvido no arsenal de informação e comunicação das empresas, as redes corporativas são as que representam o maior foco de consumo de energia, em função de seu funcionamento ininterrupto e de sua tendência a agregar novos dispositivos a cada dia que passa.
É diante desse contexto que prospera, entre fabricantes e grandes usuários de redes, a chamada onda da “TI Verde”, como estão sendo classificados os novos arranjos de tecnologia focados no requisito sustentável.
A boa notícia é que, nesse particular, alguns laboratórios do setor encontram-se muitas milhas à frente daqueles segmentos da TI que ainda têm de abrir mão de produtividade e custo para atingir o patamar sustentável ou parâmetros politicamente elogiáveis.
Ao mesmo tempo em que atingem a excelência em termos de sustentabilidade, as redes mais bem planejadas estão garantindo economias de até 40% nos custos da energia consumida em todo o data center; o que em termos administrativos representa um alto negócio.
Recentemente, um estudo realizado pela Extreme Networks constatou que, por exemplo, um típico switch Ethernet modular que sustenta 400 portas pode consumir entre 6 e 12 watts por porta ou entre 2,6 e 5,2 quilowatts por aparelho.
Com tecnologia atualizada de acordo com os novos parâmetros Go-Green adotados pela empresa, um switch equivalente, e suportando as mesmas 400 portas, consome somente 1,3 quilowatt (ou 3,2 watts por porta).
É por números dessa ordem que inúmeros data centers estão partindo para a atualização dos parques não apenas em função dos melhores requisitos de tráfego. Seus administradores fazem a conta e notam como tais substituições se pagam apenas através da economia na conta de luz.
Contudo, dispositivos de consumo menor são apenas uma parte ínfima do que os modernos switches podem agregar em termos de requisitos “verdes”. Outro foco de atuação dos laboratórios está no modo de gerenciar a distribuição de energia para os milhares de dispositivos que uma rede pode ter e que hoje são comumente alimentados de maneira uniforme e “burra”. Ou seja, em vez de dutos elétricos, desprovidos de inteligência, a nova tecnologia Management PoE (Power of Ethernet) permite introduzir um nível de inteligência até recentemente impensável para a alimentação elétrica na rede. Através do mecanismo Gerenciável PoE, a energia que segue para a borda será exatamente a necessária para um dispositivo ou uma tarefa, e não a energia disponível no duto, como é a rega de hoje.
Aliás, mesmo sem o uso de PoE, os mais avançados sistemas operacionais dos switches contemplam a gestão de energia como um ponto crucial da arquitetura das redes. Um exemplo disso é o uso, para fins de energia, dos novos gerenciadores de conexões de borda com tecnologia Universal Port. Trata-se de uma camada inteligente que direciona o abastecimento de energia para eventos e operações automáticas, em toda a rede, e permite lidar de uma única forma com o consumo de energia na rede, inclusive dos dispositivos na borda.
Uma das funções mais inovadoras dessa porta universal é poder escolher a hora exata da operação de uma determinada porta de rede, indicando quando as portas acionadas via PoE ou por vias tradicionais vão prover a energia e quando serão encerradas automaticamente, se estiverem inativas ou no final do dia de trabalho. Por meio dessa tecnologia, redes conectadas a telefones VoIP, que consomem energia e potência ininterruptamente, podem ser desligadas no final do dia de trabalho e religadas no dia seguinte.
A TI Verde caminha na direção de ser mais do que uma obrigação a ser perseguida. Nos casos das grandes redes, ser verde pode representar também uma grande preservação de “verdinhas”.
* Leonardo Bon é Diretor da Extreme Networks para o Brasil e América do Sul