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Inovar para crescer
* Por Jeroen Klink e Luis Paulo Bresciani

É possível conciliar teoria e prática, de modo que isso se traduza em projetos concretos? A resposta à questão, ainda polêmica junto ao meio acadêmico, é única: a pesquisa deve, sim, acompanhar os rumos do mercado e assumir o papel, fundamental em muitos casos, de fomentar novos negócios.

Não há meio termo nesse processo. As inovações tecnológicas têm de romper o muro das faculdades e, preferencialmente, ajudar a transformar esse conhecimento em uma fonte de renda. É fato que as pesquisas representam um momento de reflexão e refinamento da ciência pura. Mas se a sua aplicação se restringir às salas de aula, elas só servirão para consulta nas estantes empoeiradas das bibliotecas das universidades.

De nada adianta o Brasil fazer parte do grupo das maiores economias mundiais se a nação ainda está longe de ocupar uma posição satisfatória quando se fala em competitividade. Segundo a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), o País tem um dos dez maiores parques industriais do mundo, mas fabrica, principalmente, produtos de baixo e médio valor agregado. Isso ocorre porque as linhas de financiamento a projetos de pesquisa e desenvolvimento são recentes e pouco consolidadas, e não há também uma cultura inovadora por parte da imensa maioria das empresas - que seriam as principais beneficiadas, caso investissem em inovação. Aliás, a pouca (ou falta de) inovação é responsável pela baixa competitividade nacional no cenário externo. Das mais de quatro milhões de empresas brasileiras existentes, somente 17 mil (0,4%) apresentam alguma receita proveniente de exportação.

O Brasil precisa ter um sistema em que empresas, universidades, escolas técnicas, institutos de pesquisa, agências de fomento e reguladoras, poder público, entidades e associações empresariais cooperem de forma mais efetiva, de modo a produzir e difundir inovações de cunho tecnológico. Essa tarefa não é fácil, devido à infra-estrutura tecnológica reduzida e implantada de maneira pulverizada, ao baixo investimento em ações de pesquisa e desenvolvimento e a um fraco modelo de formação de recursos humanos.

A Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que apenas 12% das nossas exportações são de produtos de conteúdo tecnológico alto (computadores, equipamentos de comunicação, aviões, instrumentos, cosméticos e produtos farmacêuticos). A média no mundo é de 30%. Por outro lado, as commodities primárias (minério de ferro, soja, café) representam 40% da balança exportadora nacional, contra 11% da média mundial.

Não se trata aqui meramente da escassez de recursos públicos. O gasto do Brasil em pesquisa e desenvolvimento é de cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), o que não é pouco. Desse total, 60% vêm do poder público, patamar praticamente semelhante ao que ocorre na Coréia do Sul e no Japão. A diferença é que nessas nações, para cada dólar investido pela administração pública, as empresas colocam cerca de US$ 4, enquanto aqui a empresa só investe US$ 0,7.

Para superar essa barreira, é preciso que o Brasil passe por um choque de inovação e incentive o desenvolvimento das boas idéias. Exemplo disso é o que ocorre na cidade de Santo André, na região do ABC paulista, um dos berços da moderna indústria brasileira. O município tem apoiado ações de pesquisa e inovação tecnológica relacionadas ao desenvolvimento local e regional. Algumas iniciativas em andamento são o Pólo de Desenvolvimento de Software da TIM; as Incubadoras Tecnológica e Educacional de Santo André; o Núcleo de Fomento à Inovação Tecnológica; e a realização de eventos, como o 6º Seminário e a 2ª Rodada de Negócios do Plástico.

Demonstrando a preocupação pela interface entre teoria e prática, Santo André sediou no início de outubro o 1º Encontro de Ciência e Tecnologia do ABC. Promovido pela prefeitura local e pela Universidade Federal do ABC (UFABC), o encontro permitiu avaliar como a tecnologia pode ser incorporada ao cotidiano do Grande ABC. Medidas como essa são essenciais para tirar o conhecimento acadêmico dos laboratórios de pesquisa das universidades e levá-lo ao chão de fábrica das empresas. Só assim será possível pensar no desenvolvimento sustentável dos municípios, das regiões e do País.

(*) Jeroen Klink é pró-reitor de Extensão da Universidade Federal do ABC (UFABC) e Luis Paulo Bresciani é secretário de Desenvolvimento Econômico e Ação Regional de Santo André (SP)
 

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