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Mão-de-obra qualificada em TI: onde está?

* Por João Moretti

Quando escuto a frase “o mar não está para peixe”, lembro de um problema que o mercado de TI está enfrentando mais e mais a cada dia. Estou me referindo à dificuldade de encontrar pessoas para trabalhar em empresas de tecnologia.

Sei que não é exclusividade o que tenho passado para contratar profissionais para a área comercial e também de desenvolvimento (engenheiros de software). Se não estivesse acompanhando o drama de alguns colegas e empresas concorrentes, chegaria a pensar que o problema sou eu.

O mercado de TI está novamente entrando em ebulição. O segmento de aplicações ou soluções móveis encontra-se prestes a explodir no Brasil e no mundo. No entanto, o que toda empresa precisa é se preparar para atender à grande demanda por produtos e projetos para essa área.

Parece brincadeira, mas não é. Vejam os números. Segundo o IBGE, o número de pessoas desempregadas em maio de 2007 chegou a 2,3 milhões. Entre os desempregados em maio, 55,5% eram mulheres, 46,9% tinham entre 25 e 49 anos, 19,8% procuravam emprego pela primeira vez e 24,8% eram responsáveis por sustentar sua família. Então, sabemos que o desemprego no País é alto, mas a verdade é que faltam profissionais qualificados em TI no mercado. É claro que há muita gente boa e especializada, mas ainda é pouco para suprir todo o setor.

Segundo dados da IDC, o Brasil é hoje o país com maior número de pessoas atuando no segmento de Tecnologia da Informação. Ao todo são 892 mil trabalhadores, 47% do total de vagas existentes em toda a América Latina.

E ainda tem gente capaz de achar que não somos o país do futuro. Claro que temos alguns problemas que insistem em deixar esse futuro um pouco distante. Mas daqui a uns três anos eles devem começar a acabar. Como não adianta ficar lamentando, tenho feito grande esforço para encontrar profissionais ainda bastante jovens, mas que demonstrem grandes habilidades, muito interesse de aprender e de crescer sempre, fatores importantíssimos em nossa área. Os grandes centros de formação tecnológica vêm sendo uma boa alternativa para garimparmos essas mentes brilhantes que tanto precisamos para o nosso negócio.

Diante disso tudo, o que me surge é que as empresas precisam investir em capital humano e em capacitar mesmo a sua própria equipe. Não é fácil buscar um profissional no mercado, muitas são as dificuldades e as mais diversas possíveis. Hoje conto com 20 profissionais na área de desenvolvimento e tenho espaço para pelo menos mais uns dez até o final desse ano. E como disse no início deste artigo, temos um oceano de oportunidades surgindo para inúmeras empresas e para o próprio País. Só precisamos aprender a pescar melhor os brasileiros talentosos que temos.

* João Moretti é diretor-geral da MobSys

 

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