Arquitetura Orientada a Serviços pode se tornar uma ferramenta essencial para trazer vantagens competitivas às empresas
* Por Eduardo Lopez
Há um perigo no ar. Por isso, merece a atenção de todos que atuam com seriedade no mercado de Tecnologia da Informação. Trata-se da maneira como vem sendo tratado a SOA – a Arquitetura Orientada a Serviços, que tem tudo para se tornar cada vez mais uma excepcional ferramenta a favor das empresas. O velho cacoete da indústria de TI, habituada a lançar siglas enigmáticas a cada instante e apresentá-las como panacéia de todos os problemas, corre o risco de contagiar a SOA.
O modelo é sempre o mesmo. Primeiro, criam-se expectativas exageradas e prometem-se facilidades de implementação difíceis de se alcançar. A seguir, diante das complexidades inerentes a qualquer processo, abandona-se o produto à sorte. Surge então uma nova sigla da moda, e que, como velho roteiro surrado, sabemos de antemão que tampouco resolverá num passe de mágica os desafios que se renovam no mundo dos negócios.
Para evitar que a SOA seja condenada ao ostracismo, é preciso dizer duas coisas sobre ela. Um, que tem mais a ver com a melhoria do processo de negócios que uma nova tecnologia. E dois, que se bem utilizada, traz importantes vantagens competitivas à organização. Por isso, deve ser usada com inteligência, parcimônia e seletividade.
Por onde começar? O primeiro passo é determinar as prioridades e estabelecer quais são os processos de negócios vitais para o sucesso da organização. É aí que a SOA deve ser aplicada, num trabalho cuidadoso e contínuo de monitoração, eliminação de gargalos e aperfeiçoamento. Um dos benefícios desse modelo é que o processo pode ser acompanhado e melhorado on-line, sem ter de esperar pelos resultados históricos, como se faz da forma tradicional. Quanto não representa para uma empresa, em tempo, custos e competitividade, por exemplo, a ativação imediata de um novo produto? Imagine todas as aplicações, as existentes e as novas, se entendendo desde o primeiro momento, sem redundâncias e com flexibilidade suficiente para permitir a reutilização dos sistemas.
Acredite: isso é possível, porque a SOA permite acessar apenas uma parte dos serviços existentes, sem a necessidade de se utilizar o processo completo. Em outras palavras, a SOA elimina o problema da TI não acompanhar os negócios por não ter capacidade de tratar um processo como um todo. Ao utilizar os serviços já existentes numa estrutura corporativa, a organização ganha mais agilidade. Qualquer mudança no ambiente de negócios, do lançamento de produto concorrente a uma fusão entre companhias, tem resposta mais rápida.
Nunca é demais lembrar a questão dos custos de manutenção de sistemas e de integração de aplicações. Com a SOA, inúmeros fornecedores podem compartilhar a mesma infra-estrutura, apesar de padrões e soluções distintos, em um ambiente transparente e interoperável. E a cereja do bolo: junto com os ganhos de produtividade, a equipe de TI das empresas pode dedicar mais tempo a tarefas mais estratégicas e deixar de lado atividades mais burocráticas que visam apenas manter a estrutura em funcionamento. Por isso, não podemos matar a galinha antes mesmo que ela ponha os ovos de ouro. De forma concreta, precisamos transformar este sonho em realidade, mas com os pés no chão.
* Eduardo Lopez é Vice-Presidente de Tecnologia da Oracle América Latina