Investir na formação de talentos poderá tornar o Brasil competitivo em exportação de TI
* Por Rogério Oliveira
O setor de serviços de Tecnologia da Informação (TI) gerou ao Brasil receitas da ordem de US$ 6 bilhões em 2005, segundo dados do International Data Corporation (IDC). Os números de 2006 ainda não foram contabilizados, mas o crescimento no primeiro semestre foi de 15% sobre o mesmo período do ano anterior. Se o índice para o ano se mantiver no patamar dos primeiros seis meses de 2006, o montante anual de faturamento do setor ficará em torno dos US$ 7 bilhões.
Serviço em Tecnologia da Informação é sinônimo de talento, competência e investimento, tripé com capacidade de fortalecer a economia de qualquer país do mundo, seja através do aumento dos negócios no mercado interno, seja através das exportações. O mercado brasileiro de exportação de serviços e software em TI movimentou, de acordo com a ABES, US$ 250 milhões em 2006, de um total de US$ 36 bilhões faturados pelo mercado global, segundo projeções da Brasscom.
Como o Brasil pode competir com economias estruturadas em um segmento no qual a diferença está no talento de seus recursos humanos? A resposta está na definição e implementação de uma política de formação de mão-de-obra qualificada que reúna governo, iniciativa privada e sociedade para, juntos, colocarem o País na rota dos que aprenderam a transformar exportação de serviços em patrimônio técnico, cultural e financeiro.
O mundo convive com bons exemplos de economias emergentes que souberam investir nessa área e, hoje, competem ao lado de tradicionais exportadores originários de países economicamente fortalecidos. A Índia destaca-se nesse grupo. O país iniciou, há mais de 20 anos, um programa nacional de formação de talentos visando a mão-de-obra especializada em exportação. O governo indiano investiu nesse programa, gerando receita aproximada de US$ 25 bilhões em 2006, o equivalente a 70% do total movimentado pelo setor. A China segue o modelo, com a diferença de ter começado pelo desenvolvimento do mercado interno. Em função disso, o crescimento dos negócios em exportação de serviços e software encontrou os chineses prontos para a competição globalizada.
E o Brasil? O País, que integra as economias emergentes do BRIC, pelo seu grau de competitividade no cenário internacional, ainda precisa melhorar no que se refere à formação de talentos para o mercado de exportação de serviços.
O governo, através do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou no final de 2006 um programa para capacitação profissional na língua inglesa, o “calcanhar de Aquiles” brasileiro quando comparado à Índia. O ensino do idioma já é um grande passo para o Brasil, mas sabemos que não é tudo. O País precisa de uma política que priorize o conhecimento técnico para a formação de talentos e ajustes nas leis alfandegárias, tributárias, trabalhistas e fiscais para ter condições de competir globalmente.
O mundo assiste diariamente à quebra de barreiras tecnológicas, o que cria um novo ciclo da história no qual o que importa é o conhecimento, o talento, a capacidade de gerenciar e vencer desafios. A nacionalidade perde relevância para dar lugar à competência profissional. O local em que o trabalho se desenvolve deixa de ser prioritário e entra em cena a organização técnico-econômico-cultural do país para prestar serviços globalizados. Empresas americanas podem gerenciar data centers na Índia, enquanto a China pode desenvolver softwares que serão vendidos no mundo todo e o Brasil administrar o sistema financeiro de bancos dos Estados Unidos ou da Europa. Hoje, o que limita o mundo dos negócios é a falta de talento e não os limites geográficos.
* Rogério Oliveira é presidente da IBM Brasil