* Por Cleber Morais
A indústria de TI às vezes produz algumas promessas que acabam não cumpridas, assim como, em outro extremo, gera quebras de paradigmas e revoluções com tecnologias de ruptura. Vários temas se enquadram na categoria da evolução, como é o caso da Inclusão Digital. O desafio da indústria é trazer quase 99% de brasileiros para o mundo fascinante da informação e da era digital. Sabemos que sem compartilhar o conhecimento e sem educação o País não progride.
A Sun foi fundada acreditando nisso. Nossa visão propulsora: a rede é o computador. E desde então nos mantivemos fiéis à idéia de conectar tudo e todos. Inovação e compartilhamento têm sido parte do DNA da companhia. O objetivo é reduzir o custo da computação, diminuir as barreiras de entrada e alimentar de forma consistente as comunidades responsáveis pelo desenvolvimento da próxima fase da computação em rede.
Como fazer isso? Apostando no software livre e na nova era da indústria de Tecnologia da Informação, a “Era da Participação”, em que um mercado aberto e competitivo abastece oportunidades de crescimento para todos, não apenas criando dados ou trocando informações pelo mundo, mas participando, criando valor e independência. Se a “Era da Informação” foi passiva, a “Era da Participação” será ativa. E é exatamente isso que precisamos para quebrar a exclusão digital.
Dentre as inúmeras ações da Sun no País com o intuito de fomentar a inclusão digital, destaco o recente projeto “Técnico Cidadão”. Em parceria com o governo federal e apoio institucional do grupo de usuários SOUJava, Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Sun criou um programa de capacitação técnica e viabilização de suporte e instalação de soluções de software livre. O objetivo é criar uma rede de profissionais altamente capacitados em tecnologia de software livre, além de ampliar a empregabilidade e possibilidade de prestação de serviços por jovens de baixa renda. A procura foi surpreendente. Registramos mais de 10 mil inscritos, o que comprovou o interesse da população em adquirir conhecimento. Na primeira etapa, participaram 500 jovens divididos entre São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.
Ressalto também o acordo com o grupo Empresários para o Desenvolvimento Humano (EDH) e o Instituto Ayrton Senna, que desenvolvem em conjunto os programas “Se Liga” e “Acelera Pernambuco”, com o objetivo de melhorar a qualidade do aprendizado dos estudantes do ensino fundamental do Estado. A Sun doou toda a infra-estrutura que suporta as atividades administrativas do projeto. O objetivo da companhia é a democratização da informática. Entendemos que a tecnologia é a ferramenta principal para garantir o acesso à educação e o desenvolvimento humano.
Mas, para que isso se torne a realidade de todos os brasileiros, a Era da Participação deve transcender os esforços da Sun. É preciso incluir não apenas software, mas todos os sistemas que se tornam mais poderosos pelo efeito da rede, com colaboração e interesses compartilhados. Até agora a preocupação tem sido a simples coleta e distribuição de dados. Depois veio a demanda por selecionar, balancear e, principalmente, proteger a informação. O foco era em como os dados poderiam favorecer indivíduos.
Reconhecemos que a única maneira de transformar isso é agindo como uma equipe, buscando os mais elevados índices de contribuição. E não se trata de caridade, mas porque é bom para os negócios também. Mais brasileiros conectados significam mais negócios. E o Brasil sabe que não pode conectar uma sociedade sem a competição e todas as oportunidades proporcionadas pelo ambiente do software livre.
Em sua primeira visita ao País, em abril passado, o presidente mundial da Sun Microsystems, Jonathan Schwartz, afirmou que “uma rede aberta é a eliminação do preço de distribuição como barreira de entrada ou oportunidade. O acesso gratuito e simples implica em um mercado muito mais amplo e livre, em todos os aspectos da palavra. Competição – apenas no campo das idéias – é muito mais interessante do que ter todos concordando com tudo. Ou pior ainda, processando uns aos outros.”
* Cleber Morais é presidente da Sun Microsystems do Brasil