Por Alexandre Fernandes Barbosa*
A gestão pública enfrenta o enorme desafio de promover o desenvolvimento econômico e social sustentável em um ambiente de rápidas e profundas mudanças. Esse desafio impõe às administrações públicas a necessidade de repensar a questão da governança e do modelo de gestão pública, ao mesmo tempo em que exige mecanismos inovadores de relacionamento com a sociedade.
O desafio torna-se ainda maior quando esse relacionamento sofre pressões do ambiente para que seja realizado de forma digital. O papel fundamental do governo em uma sociedade contemporânea deve ser o de universalizar as oportunidades individuais, institucionais e regionais, ao mesmo tempo em que dá suporte ao desenvolvimento de tecnologias que promovam o salto necessário exigido para atender às demandas dessa nova sociedade. Nesse contexto, os programas de governo eletrônico (e-Gov) objetivam a modernização do Estado e atendem a necessidade de mostrar maior transparência na gestão pública, buscando mais eficiência e melhoria da qualidade dos serviços públicos, além de criar um ambiente propício para a inclusão social e fortalecimento da capacidade de formulação e implementação de políticas públicas.
Aí reside a grande importância dessa área, que surge com a grande promessa da transformação do setor público no Brasil, mas que já mostra resultados impressionantes em países com níveis de adoção tecnológica mais avançados, como é o caso de Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
O e-Gov é um instrumento apoiado no uso estratégico e intensivo da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), essencial para a transformação da administração pública. Por meio da TIC é possível implementar mecanismos eficientes de participação democrática e controle social, além de oferecer melhores serviços públicos, aumentar a eficiência dos processos internos do governo e criar novos canais de acesso e entrega de serviços públicos eletrônicos com a utilização de Internet, TV digital e dispositivos móveis, entre outros.
O e-Gov orienta o uso de tecnologia nos processos internos, nas relações entre os órgãos ou agências governamentais e nas suas relações com o cidadão e empresas na oferta de serviços públicos. Ele é mais do que uma simples tendência. É uma necessidade dos governos nas esferas federal, estadual e municipal, que sofrem as pressões do novo ambiente da economia digital. Esse movimento criou uma forte necessidade de capacitação dos gestores públicos e técnicos do governo no uso aplicado das novas tecnologias digitais e de Internet.
Assim, é preciso capacitar profissionais e gestores públicos com as formações técnica e gerencial necessárias para a elaboração, gestão e implementação de políticas públicas de e-Gov, com definição de modelos de implementação, elaboração de estratégias de TIC e de governança, definição de indicadores e adoção de padrões de classe mundial para os serviços públicos.
Somente com profissionais capacitados o setor público terá a oportunidade de identificar modelos para o emprego da TIC como instrumento de viabilização do uso da Tecnologia da Informação para atender aos requisitos do cidadão do século XXI, com gestores ativos no processo de transformação do governo no novo ambiente de negócios da era digital.
*Alexandre Fernandes Barbosa coordena o curso de Gestão de Tecnologia da Informação para a Administração Pública e Governo Eletrônico da FIAP – Faculdade de Informática e Administração Paulista.